segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Para quem acha que não vale mais a pena...

Desta vez, o texto não é meu. Faço questão de deixar postada aqui uma notícia retirada do Globo.com, neste dia 03/12/07, às 14:50. Estou torcendo demais por esta senhora... Que belo exemplo!

Senhora de 82 presta vestibular no Pará

Raimunda Nonata terminou o ensino médio dois dias antes do vestibular. Curso escolhido foi o de serviço social.

Força de vontade e muita disposição são alguns itens necessários para tentar uma vaga na universidade. Neste fim de semana, cerca de mil candidatos prestaram o vestibular em uma universidade particular de Santarém, no Pará. Entre elas, uma candidata de 82 anos. Raimunda Nonata tentou pela primeira vez o vestibular. A área escolhida: serviço social.

A vestibulanda concluiu o ensino médio apenas dois dias antes de prestar o vestibular. Ela não perdeu tempo e foi em busca de mais um sonho: o ensino superior. Sem importar-se com a idade e com a concorrência ela se concentrou na prova. Leu questão por questão e usou todos os minutos disponíveis para não colocar a vaga em risco.

Apoio da família

A idéia de prestar vestibular partiu da própria Raimunda, que teve o apoio de toda a família. A filha e a neta de dona Raimunda aguardaram com expectativa a vestibulanda entregar a prova.

“É impressionante que ela tenha 82 e está fazendo o vestibular. Eu fico emocionada de saber que ela vai estudar comigo”, disse a neta Karen Maciel, estudante da instituição.

Raimunda ficou duas horas e meia na sala de aula fazendo a prova. “Estou nervosa. Deu frio por todo o corpo. Mas eu decidi fazer e ver como é. Eu tenho essa idade, mas sinto que não a tenho”, conta a candidata.


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL202233-5604,00-SENHORA+DE+PRESTA+VESTIBULAR+NO+PARA.html

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

E quem se lembrará do São Paulo?!



– Papai, quem foi o campeão de 2007?

Um dia, meu filho vai me perguntar isso. E eu vou encher minha boca para dizer que foi nosso Mengão.

Sério: ninguém se lembrará do Ceni, do Richarlysson, da polêmica do penta, da Copa União...

As pessoas se lembrarão para sempre da imagem daquela bandeira do Zico que sempre encerrava o Globo Esporte, marcando mais recorde de público a cada semana.

As pessoas vão se lembrar que ninguém nunca saiu da zona de rebaixamento, depois de ficar por 16 rodadas, para a Libertadores no mesmo ano.


Quem será mais lembrado? O "competente-sujeito-mal-encarado" Muricy ou o "sempre-alvo-de-críticas-muitas-vezes-preconceituosas" Joel? O time que conquistou o título garantido a partir do momento em que os cavalos paraguaios começaram a mostrar quem verdadeiramente são ou aquele que galgou, rodada a rodada, passo a passo, com o apoio de uma massa sem igual, seu lugar ao sol?


Ah, ninguém se lembrará dos números da camisa 5-3-3: as pessoas se lembrarão dos números 60.000, 70.000, 80.000, etc. Se bobear, até o preço do Neston será lembrado...

As pessoas se lembrarão de um time unido, forte, apaixonante, apaixonado: sim, porque, se algum deles não se apaixonou pela torcida depois dessa...

Eu vou me lembrar do jogo que vencemos o S. Paulo no Maraca e eu quase desmaiei, lá na rampa da UERJ, sem forças por ter jogado junto o tempo todo.

Eu vou me lembrar da água de côco de quem fingia estar tranqüilo, sob a sombra da barraca, e que agora deve estar estudando desesperado uma fórmula para emudecer a massa.

Eu vou me lembrar de um lindo Mengão, de uma mobilização sem precedentes da torcida, do Maraca...

Mas o meu filho estranhará, e me perguntará com sua bela dúvida de criança...

– Mas, papai: aqui está escrito que foi o S. Paulo...

– Filho, acredite: o papai estava lá...

E esse diálogo acontecerá quando estivermos subindo a rampa, eu e ele, na sua primeira vez no Maraca, vestindo sua pequena camisa 12...

Saudações Rubro-Negras

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Parabéns! 112 anos de raça, amor e paixão...

15 de novembro: dia da República. 15 de novembro*: dia da fundação do Flamengo. Dia da Nação Rubro-Negra. Dia de felicidade, de orgulho, de amor.


Que a torcida do Mengão dá show, isso é mais velho do que andar para frente. Mas queria relatar aqui brevemente uma cena que me deixou impressionado; aliás, impressionadamente feliz...

O Mengão joga contra o corinthians (propositalmente minúsculo). Jogo chave para nossas pretensões neste Campeonato Brasileiro. O jogo está mais para nós, mas não é que o "bendito" do Finazzi marca primeiro? Gol deles...

Eu estou, como sempre, nas amarelas, cantando com a Urubuzada, empurrando o time e, de repente, sai esse gol. Os cantos cessam... por 3 segundos apenas.

No exato momento em que o gol deles sai, eu, ainda aborrecido e decepcionado, olho em volta e vejo um exército se levantando para o contra-ataque. É sério!!! Os responsáveis pelas bandeironas que a gente admira tanto quando vê pela televisão levantam ao mesmo tempo e começam a sacudi-las (o leigo que lá estivesse poderia pensar que aquela era a torcida do time que fez o gol). Eu fico olhando as bandeiras e as expressões cerradas daqueles que colocam sua força naquele balançar (sim: aquelas bandeiras pesam!!!). É a senha para um ensurdecedor "Meeeeeengooooooo" começar a orbitar o Maraca. Bateria recomeça a tocar. Quem ficou em silêncio por mais do que os 3 segundos, começa a cair em si e a perceber que aquilo ali é o Flamengo. Cada um de nós olha para as costas e vê o número 12 escrito. É hora de jogar. E sempre jogamos...

O resto da história? Mais uma vitória nossa! (http://www.youtube.com/watch?v=0vHsKN5TfNs) Nossa mesmo: da galera!!!

Parabéns, Mengão! Parabéns República Rubro-Negra!


* O Mengão foi fundado em 17/11/1895, mas, por conta do feriado, tradicionalmente se comemora o aniversário no dia 15.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Raça, amor e paixão: oh, meu Mengo! (ou "Cenas do gol do Souza")

Hoje, analisando friamente* os momentos que acabamos perdendo por conta da natural euforia que toma conta de todo rubro-negro, atento-me para o lance do gol daquela maravilhosa "goleada" de ontem.

Após o escanteio, a bola sobra para o Íbson, que dá um passe primoroso, de prima, para o Juan. Este, que durante um bom tempo, não errava nenhum cruzamento, recebe, põe na canhota e... põe na barriga do adversário. Nesse momento, há um desânimo total: "será possível, Juan?", "mais um?", etc.

Deus é bom. A bola volta, curiosamente, no pé direito do nosso lateral-esquerdo: "pronto, agora ele vai se virar todinho pra acertar a bola para o pé esquerdo de novo, perder tempo, e o cara do Santos chegar junto abafando".

Nada. Na frente de dois adversários, o "baixinho marrento" (??? – sem comparações, por favor) emenda de direita mesmo. Se era para se livrar da bola ou um cruzamento preciso, eu não estou nem um pouco interessado. Só sei que ela caiu na cabeça de Obina.

O folclórico, popular, gente boa, humilde, predestinado, esforçado, "ruim de bola" (até Bruna já sabe disso!) e dono de outros tantos adjetivos dá o primeiro toque da linha de passe. Um gol de linha de passe: fazia tempo que eu não comemorava um assim. E esse toque encontra aquele que está no meio dos que a galera considera os melhores reforços (dividindo a ponta com o Íbson), pois ajudou a acertar um setor há tempos bagunçado: Fábio Luciano.

O capitão rubro-negro escora para o meio da pequena área já como que prevendo o resultado final. Fábio já cai se virando e comemorando o gol, como se fosse seu, como se fosse nosso... E é nosso. É do Mengão... O mesmo Mengão que fez esse cara quase chorar, sem saber o que dizer (Globo Esporte), depois do jogo em que derrotamos o campeão brasileiro. Raça e qualidade.

Enquanto a bola viaja até o capitão, o nosso "nove" (o matador, o centroavante, muitas vezes contestado, criticado, vaiado) já se apronta... Será dele a honra de dar o último toque para dentro.

Souza pode não ser um craque. Parafraseando um certo Cap. Nascimento, "nunca será". Mas quem disse que, para jogar no Mengão, é preciso ser craque? Tudo bem, já tivemos Zico (hors concours), Júnior, Leandro, Mozer, etc. Mas também tivemos Nunes. E é dele que eu me lembrei ontem: Souza fez gol de Nunes.

A bola que vem quicando, o centroavante escorando, goleiro e zagueiro naquele gesto intuitivo de "a única chance agora é o juiz anular o gol", a massa explodindo... Ó, meu Mengão!

Houve tempo, nos últimos anos, em que tudo o que se noticiava sobre o Mengão era que o clima era de "panela". E, de fato, presenciamos isso não raras vezes, infelizmente. Entretanto, deixei de lado isso nessa arrancada incrível desse time. Fica nítido, pelo menos para mim, o sentimento coeso desses caras, em prol dessa vaga, em prol do "nosso título" desse campeonato, em prol da torcida.

Souza corre comemorando o gol, beirando a linha de fundo. Assim que a bola toca a rede, já se percebe o "garoto-torcedor-lateral-reserva" Egídio (aquele que foi flagrado pelas câmeras cantando "Ôo... Cadê a Força?!", no jogo contra o vice) pulando a placa e correndo atrás de Souza.

Fábio corre em direção à torcida. O gol também é seu. Quando a câmera fecha no Souza, que está prestes a ser encoberto por vários jogadores, surge um sorridente Ronaldo Angelim, alegre, feliz, correndo em círculos, braços abertos, para vibrar com o gol. Surgem Roger e Obina: o primeiro salta sobre o companheiro, que já não é visto pelas câmeras; o segundo aponta, como se dissesse a paráfrase "esse é o cara". Aparece um reserva, que não consigo identificar. Poderia ser eu...

Nessa hora, do reserva, eu tenho vontade de ser jogador de futebol. Poderia ser um Toró da vida, ou até pior que ele, pois eu não tenho muita qualidade nas peladas que jogo aqui perto de casa. Mas sou guerreiro e tenho muito amor pelo Mengão e, se estivesse dentro de campo em um momento como esse, acho que explodiria de tanta alegria...

A imagem corta para onde estamos: a arquibancada. Nós, "o 12"...

Volta para o Souza, que ninguém vê: vê-se Rodrigo Arroz, Leo Medeiros, o preparador físico, Diego. Surge o pequenino guerreiro Maxi (que poderia estar muito do emburrado por não jogar) pulando, feliz da vida. "Isso, moleque!!!", diria meu amigo Prezado...

Volta para a arquibancada. Emoção, alegria, camisas rodando... e um caixão alvi-negro (porque merecemos zoar sim).

E como rubro-negro se emociona até no replay, há repórter e gandula pulando de alegria...

Eu entendo quando o Christian chora: eu também choro...

Esses caras estão felizes! A Nação também...


Quem quiser conferir, http://br.youtube.com/watch?v=PKxO5ybQXrM (porque com o Penido é muito melhor...).


* Esqueçam a análise fria...

domingo, 11 de novembro de 2007

Mestrado e "Tropa de Elite"

Esta eu preciso copiar: é a frase de apresentação do MSN de uma amiga minha...


O mestrado é o Capitão Nascimento dando tapa na minha cara e dizendo "pede pra sair". (Isabella Fortunato)

Faz sentido, minha cara Isabella! Faz todo o sentido...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Senhoras e senhores... Pixinguinha!

Sine verbis...

Rosa

Tu és, divina e graciosa

Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu


Tu és a forma ideal
Estátua magistral, oh, alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza


Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh, flor, meu peito não resiste
Oh, meu Deus, o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Páginas da vida (ou "Cenas de um almoço no Centro")


Prólogo

A senhora gorda que se posiciona na fila do self-service, pega um (sim, "um") ovo de codorna com a colher, põe no prato, leva o ovo de codorna à boca sem cerimônia. No final, sai da balança com um prato cheio de salada. Ô, falta de educação: alimentar e moral...

Capítulo 1

Terça-feira, 12:15h, duas jovens senhoras, completamente "dondoquetes", almoçam em um restaurante da 1º de Março. As duas parecem socialites da Tijuca, com seus 45 anos, ornando blazers (ou seriam terninhos?) com babado de onça. Se não forem socialites, são advogadas-medianas-que-fazem-a-maior-pose-mas-são-muito-fúteis. Explico o "fúteis": as duas estão discutindo acerca do orkut.

Mas não é discussão sobre os benefícios ou malefícios do orkut, mas a discussão acalorada que duas adolescentes travam acerca do site: tiremos uns 30 anos e as vozes aveludadas (marcadas pelos anos de vida) das duas, o cenário está perfeito (vou me reservar o direito de não descrevê-las fisicamente - já basta a mulher do prólogo). "Hum, ela me tirou do orkut dela", diz uma. "Também me tirou", responde a outra, completando com um "Ahn! Será por isso que agora só aparecem 16 fãs para mim? Antes eram 17".

Minha paciência está no limite. Só uma meia dúzia de amigos meus compreendem o que se passa na minha cabeça neste momento. Tento pensar em outra coisa: me vem a mente a gorda "experimentando" o ovo de codorna e eu penso "Ah! Se algum funcionário do lugar vira pra ela e brada 'Eu vi, sua gorda: pode pagando esse ovo de codorna aí!', eu vou ficar muito feliz". E eu rio. Indignado ao mesmo tempo, mas rio. Quando paro de pensar nisso, meu prato está quase no fim e as dondoquetes continuam a falar... E a falar sobre o orkut. Ô, coisa chata: devem ser solteironas...

Ao final, uma delas pede: "Vocês têm água tônica?". A garçonete diz que só tem água tônica diet. Por um instante, eu não sei o que me chama mais a atenção: se a alegria quase "orgásmica" com que a dondoca recebe a notícia da água tônica diet por meio do sonoro "ótimo" (creio que os olhos dela até brilharam - eu não tive a coragem de encará-la) ou minha perturbação em querer compreender a propriedade "diet" da água tônica.


Com 45 anos, eu não me imagino discutindo sobre scraps, como adicionar amigos no msn ou fãs do orkut. Talvez com 45 anos eu peça água tônica diet. Não sei: vamos ver...

Em tempo: se alguma coisa aqui foi engraçada, com certeza, foi o prólogo, eu sei...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

"Professor?!"


Sou sim. Algum problema?!

Às vezes, parece que cometo um crime quando falo o que sou (na verdade, o crime parece aumentar quando digo a disciplina que leciono: "latim?!").

É claro que eu gostaria de ganhar mais. É claro que lidar com muitas pessoas, cada uma com sua individualidade e seu estado de espírito, é bem difícil (por vezes, estressante). É claro que eu gostaria de trabalhar com uma infra-estrutura melhor (fica aqui meu protesto contra os rebocos e o fogo). E mais um monte de "é claro que"...

Mas paremos um pouco de alimentar esse estigma e fiquemos com o que há de bom.

Fiquemos com a satisfação do resultado obtido pelo aluno que, depois de uma séria conversa com você, conseguiu alcançar aquela nota que, se "não mudou o mundo", ao menos, mexeu com a auto-estima do sujeito, além de ter servido como uma alavancada em sua caminhada curricular. Fiquemos com a lembrança boa daquele tempo em que todos (se a palavra foi escolhida com muita ousadia, troco por "98% dos alunos") gostavam de você, lembrança que compensa a despedida entristecida da turma. Fiquemos com o reconhecimento por parte do crítico aluno de nível superior (pois "você não é um desses que só batem cartão: dá aula de verdade!"), elogio que ajuda a manter a convicção em um momento de decisão. E mais um monte de "fiquemos com"...

Já criticaram demais minha escolha: deixe meu ofício em paz! Você não gosta? Eu sim...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Casa nova, velho tempo novo


Este é meu novo espaço. Curtam, pois eu tentarei curti-lo com mais freqüência que o outro. É possível que agora eu tenha tempo: ah, tempo! Não sei se, na verdade, eu estou tentando me convencer de que agora conseguirei fazer um monte de coisas que estou devendo ou se, de fato, conseguirei fazê-las. Ao menos, a intenção se renova.

Ainda é tempo de muitas coisas: dissertação, estágio, trabalho, sociais, etc. Mas estou em um tempo de projetos, planos, ousadias e afins. É o momento do "agora vai": até meu quarto e minhas coisas estou arrumando...

A discussão é antiga: desde o tempo do "Canção do Verissimus", que rendeu seis posts entre 3 de dezembro de 2005 e 1 de agosto de 2006. Seis posts em um intervalo de oito meses: minha meta é superar isso...

Não! Dessa vez, será diferente! É uma promessa a mim mesmo. Escreverei muito mais. Vocês verão... Haverá música, amor, Bruna, amigos, Flamengo, latim, tristezas, sorrisos, etc... Ou seja, vida.

Vocês verão...