segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Raça, amor e paixão: oh, meu Mengo! (ou "Cenas do gol do Souza")

Hoje, analisando friamente* os momentos que acabamos perdendo por conta da natural euforia que toma conta de todo rubro-negro, atento-me para o lance do gol daquela maravilhosa "goleada" de ontem.

Após o escanteio, a bola sobra para o Íbson, que dá um passe primoroso, de prima, para o Juan. Este, que durante um bom tempo, não errava nenhum cruzamento, recebe, põe na canhota e... põe na barriga do adversário. Nesse momento, há um desânimo total: "será possível, Juan?", "mais um?", etc.

Deus é bom. A bola volta, curiosamente, no pé direito do nosso lateral-esquerdo: "pronto, agora ele vai se virar todinho pra acertar a bola para o pé esquerdo de novo, perder tempo, e o cara do Santos chegar junto abafando".

Nada. Na frente de dois adversários, o "baixinho marrento" (??? – sem comparações, por favor) emenda de direita mesmo. Se era para se livrar da bola ou um cruzamento preciso, eu não estou nem um pouco interessado. Só sei que ela caiu na cabeça de Obina.

O folclórico, popular, gente boa, humilde, predestinado, esforçado, "ruim de bola" (até Bruna já sabe disso!) e dono de outros tantos adjetivos dá o primeiro toque da linha de passe. Um gol de linha de passe: fazia tempo que eu não comemorava um assim. E esse toque encontra aquele que está no meio dos que a galera considera os melhores reforços (dividindo a ponta com o Íbson), pois ajudou a acertar um setor há tempos bagunçado: Fábio Luciano.

O capitão rubro-negro escora para o meio da pequena área já como que prevendo o resultado final. Fábio já cai se virando e comemorando o gol, como se fosse seu, como se fosse nosso... E é nosso. É do Mengão... O mesmo Mengão que fez esse cara quase chorar, sem saber o que dizer (Globo Esporte), depois do jogo em que derrotamos o campeão brasileiro. Raça e qualidade.

Enquanto a bola viaja até o capitão, o nosso "nove" (o matador, o centroavante, muitas vezes contestado, criticado, vaiado) já se apronta... Será dele a honra de dar o último toque para dentro.

Souza pode não ser um craque. Parafraseando um certo Cap. Nascimento, "nunca será". Mas quem disse que, para jogar no Mengão, é preciso ser craque? Tudo bem, já tivemos Zico (hors concours), Júnior, Leandro, Mozer, etc. Mas também tivemos Nunes. E é dele que eu me lembrei ontem: Souza fez gol de Nunes.

A bola que vem quicando, o centroavante escorando, goleiro e zagueiro naquele gesto intuitivo de "a única chance agora é o juiz anular o gol", a massa explodindo... Ó, meu Mengão!

Houve tempo, nos últimos anos, em que tudo o que se noticiava sobre o Mengão era que o clima era de "panela". E, de fato, presenciamos isso não raras vezes, infelizmente. Entretanto, deixei de lado isso nessa arrancada incrível desse time. Fica nítido, pelo menos para mim, o sentimento coeso desses caras, em prol dessa vaga, em prol do "nosso título" desse campeonato, em prol da torcida.

Souza corre comemorando o gol, beirando a linha de fundo. Assim que a bola toca a rede, já se percebe o "garoto-torcedor-lateral-reserva" Egídio (aquele que foi flagrado pelas câmeras cantando "Ôo... Cadê a Força?!", no jogo contra o vice) pulando a placa e correndo atrás de Souza.

Fábio corre em direção à torcida. O gol também é seu. Quando a câmera fecha no Souza, que está prestes a ser encoberto por vários jogadores, surge um sorridente Ronaldo Angelim, alegre, feliz, correndo em círculos, braços abertos, para vibrar com o gol. Surgem Roger e Obina: o primeiro salta sobre o companheiro, que já não é visto pelas câmeras; o segundo aponta, como se dissesse a paráfrase "esse é o cara". Aparece um reserva, que não consigo identificar. Poderia ser eu...

Nessa hora, do reserva, eu tenho vontade de ser jogador de futebol. Poderia ser um Toró da vida, ou até pior que ele, pois eu não tenho muita qualidade nas peladas que jogo aqui perto de casa. Mas sou guerreiro e tenho muito amor pelo Mengão e, se estivesse dentro de campo em um momento como esse, acho que explodiria de tanta alegria...

A imagem corta para onde estamos: a arquibancada. Nós, "o 12"...

Volta para o Souza, que ninguém vê: vê-se Rodrigo Arroz, Leo Medeiros, o preparador físico, Diego. Surge o pequenino guerreiro Maxi (que poderia estar muito do emburrado por não jogar) pulando, feliz da vida. "Isso, moleque!!!", diria meu amigo Prezado...

Volta para a arquibancada. Emoção, alegria, camisas rodando... e um caixão alvi-negro (porque merecemos zoar sim).

E como rubro-negro se emociona até no replay, há repórter e gandula pulando de alegria...

Eu entendo quando o Christian chora: eu também choro...

Esses caras estão felizes! A Nação também...


Quem quiser conferir, http://br.youtube.com/watch?v=PKxO5ybQXrM (porque com o Penido é muito melhor...).


* Esqueçam a análise fria...

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