terça-feira, 23 de outubro de 2007

Páginas da vida (ou "Cenas de um almoço no Centro")


Prólogo

A senhora gorda que se posiciona na fila do self-service, pega um (sim, "um") ovo de codorna com a colher, põe no prato, leva o ovo de codorna à boca sem cerimônia. No final, sai da balança com um prato cheio de salada. Ô, falta de educação: alimentar e moral...

Capítulo 1

Terça-feira, 12:15h, duas jovens senhoras, completamente "dondoquetes", almoçam em um restaurante da 1º de Março. As duas parecem socialites da Tijuca, com seus 45 anos, ornando blazers (ou seriam terninhos?) com babado de onça. Se não forem socialites, são advogadas-medianas-que-fazem-a-maior-pose-mas-são-muito-fúteis. Explico o "fúteis": as duas estão discutindo acerca do orkut.

Mas não é discussão sobre os benefícios ou malefícios do orkut, mas a discussão acalorada que duas adolescentes travam acerca do site: tiremos uns 30 anos e as vozes aveludadas (marcadas pelos anos de vida) das duas, o cenário está perfeito (vou me reservar o direito de não descrevê-las fisicamente - já basta a mulher do prólogo). "Hum, ela me tirou do orkut dela", diz uma. "Também me tirou", responde a outra, completando com um "Ahn! Será por isso que agora só aparecem 16 fãs para mim? Antes eram 17".

Minha paciência está no limite. Só uma meia dúzia de amigos meus compreendem o que se passa na minha cabeça neste momento. Tento pensar em outra coisa: me vem a mente a gorda "experimentando" o ovo de codorna e eu penso "Ah! Se algum funcionário do lugar vira pra ela e brada 'Eu vi, sua gorda: pode pagando esse ovo de codorna aí!', eu vou ficar muito feliz". E eu rio. Indignado ao mesmo tempo, mas rio. Quando paro de pensar nisso, meu prato está quase no fim e as dondoquetes continuam a falar... E a falar sobre o orkut. Ô, coisa chata: devem ser solteironas...

Ao final, uma delas pede: "Vocês têm água tônica?". A garçonete diz que só tem água tônica diet. Por um instante, eu não sei o que me chama mais a atenção: se a alegria quase "orgásmica" com que a dondoca recebe a notícia da água tônica diet por meio do sonoro "ótimo" (creio que os olhos dela até brilharam - eu não tive a coragem de encará-la) ou minha perturbação em querer compreender a propriedade "diet" da água tônica.


Com 45 anos, eu não me imagino discutindo sobre scraps, como adicionar amigos no msn ou fãs do orkut. Talvez com 45 anos eu peça água tônica diet. Não sei: vamos ver...

Em tempo: se alguma coisa aqui foi engraçada, com certeza, foi o prólogo, eu sei...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

"Professor?!"


Sou sim. Algum problema?!

Às vezes, parece que cometo um crime quando falo o que sou (na verdade, o crime parece aumentar quando digo a disciplina que leciono: "latim?!").

É claro que eu gostaria de ganhar mais. É claro que lidar com muitas pessoas, cada uma com sua individualidade e seu estado de espírito, é bem difícil (por vezes, estressante). É claro que eu gostaria de trabalhar com uma infra-estrutura melhor (fica aqui meu protesto contra os rebocos e o fogo). E mais um monte de "é claro que"...

Mas paremos um pouco de alimentar esse estigma e fiquemos com o que há de bom.

Fiquemos com a satisfação do resultado obtido pelo aluno que, depois de uma séria conversa com você, conseguiu alcançar aquela nota que, se "não mudou o mundo", ao menos, mexeu com a auto-estima do sujeito, além de ter servido como uma alavancada em sua caminhada curricular. Fiquemos com a lembrança boa daquele tempo em que todos (se a palavra foi escolhida com muita ousadia, troco por "98% dos alunos") gostavam de você, lembrança que compensa a despedida entristecida da turma. Fiquemos com o reconhecimento por parte do crítico aluno de nível superior (pois "você não é um desses que só batem cartão: dá aula de verdade!"), elogio que ajuda a manter a convicção em um momento de decisão. E mais um monte de "fiquemos com"...

Já criticaram demais minha escolha: deixe meu ofício em paz! Você não gosta? Eu sim...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Casa nova, velho tempo novo


Este é meu novo espaço. Curtam, pois eu tentarei curti-lo com mais freqüência que o outro. É possível que agora eu tenha tempo: ah, tempo! Não sei se, na verdade, eu estou tentando me convencer de que agora conseguirei fazer um monte de coisas que estou devendo ou se, de fato, conseguirei fazê-las. Ao menos, a intenção se renova.

Ainda é tempo de muitas coisas: dissertação, estágio, trabalho, sociais, etc. Mas estou em um tempo de projetos, planos, ousadias e afins. É o momento do "agora vai": até meu quarto e minhas coisas estou arrumando...

A discussão é antiga: desde o tempo do "Canção do Verissimus", que rendeu seis posts entre 3 de dezembro de 2005 e 1 de agosto de 2006. Seis posts em um intervalo de oito meses: minha meta é superar isso...

Não! Dessa vez, será diferente! É uma promessa a mim mesmo. Escreverei muito mais. Vocês verão... Haverá música, amor, Bruna, amigos, Flamengo, latim, tristezas, sorrisos, etc... Ou seja, vida.

Vocês verão...