No silêncio da manhã, eu gosto mesmo é do barulho das asas do beija-flor
É a natureza me mostrando
Que Deus está ali, me encantando
E ele não para de vir aqui na janela
É preto. É leve. E baila em volta do bebedouro
Um Gene Kelly cantando na chuva
Bendita água açucarada...
O bem-te-vi também vem aqui
Na verdade, não sei bem se é mesmo um bem-te-vi
Só me interessa que ele bem vem aqui
E vem bem...
É amarelo, como um resquício de raio de sol que o prédio da frente me impede
Em verdade, pouco importa o tipo do pássaro
Eu gosto mesmo é do surdo barulho das asas
sábado, 15 de maio de 2021
Barulho das asas
(Março de 2021)
sábado, 24 de abril de 2021
Brevidades
Desperto.
Desperto?
Decerto.
Dê certo.
De perto.
De longe.
Onde?
Aonde?
De bonde?
A pé.
Até.
Com fé.
Já é.
Já foi.
Um oi.
Um tchau.
Qual?
Igual.
Um mal.
Um bem.
Alguém?
Ninguém.
Cem?
Sem.
Vem...
Vou.
(Diego Verissimo. Maio de 2019.)
sexta-feira, 16 de abril de 2021
Remoendo
Vou contar uma história que começou domingo... e acabou de ganhar o clímax há poucos minutos, nesta sexta. É de agora mesmo.
A carne já está cara. (Ótimo começo, mas não é título.)
Fui ao mercado no último domingo e, como de praxe, comprei algumas bandejas de carne e me pus à fila para moê-las.
É tempo de agradecer quando você encontra acém a R$29. O, tempora. O, mores. Peguei três bandejas de acém ("AC. BOV. FRIBOI" era a descrição na etiqueta). Aproximadamente, 3,2kg (os pedreirinhos comem, hein?).
Hoje foi dia de abrir uma bandeja (confesso: preferiria "bandeija", tão mais bonito quanto "mortandela") para descongelar. Ao colocar na pia para aguardar o ritual...
Uma síncope. Dei-me conta, estático, de uma coisa. Na descrição do pacote estava "ALC. BOV. FRIBOI". Aquele "L" me passou batido...
Eu comprei alcatra. Pra moer! QUEM COMPRA ALCATRA PRA MOER?! (O cara da moenda poderia mandar um "Irmão, é alcatra. Vai assim mesmo?"). Mas não...
E a R$34 o quilo... Trinta e quatro moídos.
Leia com atenção. Sempre.
Quem compra alcatra pra moer? Essa pergunta está fresca, mas, me conhecendo, vai ficar aqui na minha cabeça por um tempo.
Vai ficar remoendo. Como a alcatra.

(Créditos da imagem: clickguarulhos.com.br)
É tempo de agradecer quando você encontra acém a R$29. O, tempora. O, mores. Peguei três bandejas de acém ("AC. BOV. FRIBOI" era a descrição na etiqueta). Aproximadamente, 3,2kg (os pedreirinhos comem, hein?).
Hoje foi dia de abrir uma bandeja (confesso: preferiria "bandeija", tão mais bonito quanto "mortandela") para descongelar. Ao colocar na pia para aguardar o ritual...
Uma síncope. Dei-me conta, estático, de uma coisa. Na descrição do pacote estava "ALC. BOV. FRIBOI". Aquele "L" me passou batido...
Eu comprei alcatra. Pra moer! QUEM COMPRA ALCATRA PRA MOER?! (O cara da moenda poderia mandar um "Irmão, é alcatra. Vai assim mesmo?"). Mas não...
E a R$34 o quilo... Trinta e quatro moídos.
Leia com atenção. Sempre.
Quem compra alcatra pra moer? Essa pergunta está fresca, mas, me conhecendo, vai ficar aqui na minha cabeça por um tempo.
Vai ficar remoendo. Como a alcatra.
(Créditos da imagem: clickguarulhos.com.br)
quinta-feira, 25 de março de 2021
Quanto tempo!
Quanto tempo!
Quanto tempo?
Quanto...
Tempo? Humpf!
Quanto?
Dez. Efetivo, treze. De iniciado, quatorze.
E daí?
Daqui, nada. Só passou.
E volta?
Talvez.
Quanto tempo?
E daí?
Volta...
Talvez.
E você?
Hã?
Como?
Bem. Muita coisa.
E essas coisas voltam?
Talvez.
Lacônico?
Não.
Sim.
Aparências. E tempo. (Ou falta.)
E vai continuar assim?
Não sei: mais velho, letra branca em fundo preto já não me é algo tão simples assim. Sou outro.
Muda.
Talvez.
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